segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Médico cubano supera 'desconfiança' e conquista pacientes no litoral do RN

Médico cubano supera 'desconfiança' e conquista pacientes no litoral do RN

Raul Hernandez atua em S. Miguel do Gostoso no programa Mais Médicos.
Em todo o estado, são 208 médicos estrangeiros e 35 brasileiros do programa.



Atencioso, simples, cuidadoso. Essas são apenas algumas das palavras usadas por moradores da pequena São Miguel do Gostoso para definir o médico cubano Raul Hernandez Lopez que atua na comunidade desde dezembro de 2013. Ele é um dos 243 profissionais que trabalham no Rio Grande do Norte através do programa Mais Médicos - que completou dois anos em agosto. "O atendimento dele é muito bom, ele é muito atencioso, está sempre disponível", diz a garçonete Maria Leda Barbosa, de 32 anos, que aguardava atendimento para a filha Letícia, de 7 anos, que é asmática.

São Miguel do Gostoso fica no litoral norte do estado e tem 10 mil habitantes. Além de Raul, o município tem ainda outro médico cubano e um italiano contratados através do programa. Nenhum teve problema de adaptação na cidade.
Raul Hernandez atende na Unidade Básica de saúde do Maceió e desde que chegou à cidade conquistou o respeito e a admiração dos moradores. "Ele é uma benção pra gente. O doutor Raul é muito atencioso, o atendimento dele é diferente do dos outros médicos. Ele é mais cuidadoso, conversa com a gente. Tem médico que parece que tem preconceito com a gente porque a gente é pobre. O doutor Raul não. Ele trata a gente bem. Se ele for embora eu vou sentir muita falta", diz a dona de casa Ana Maria Almeida, de 30 anos.

Mas nem sempre foi assim. Coordenadora da unidade de saúde do Maceió, a enfermeira Karina Flavia Soares de Moura, de 36 anos, conta que no início a população teve receio de ser atendida pelo cubano. A desconfiança durou pouco. "No início as pessoas tiveram um pouco de receio, até por causa de toda a polêmica envolvendo a chegada de médicos cubanos para atender no Brasil. Mas após os primeiros contatos o doutor Raul conquistou a comunidade. O paciente se sente acolhido. Essa humanização do atendimento, a simplicidade dele, tudo isso agrada aos pacientes", diz.
Para a dona de casa Maria de Fátima de Melo, de 35 anos, o único problema no atendimento do médico é o idioma. Ela explica que às vezes é difícil entender o que ele diz. "Ele fala meio enrolado e às vezes eu não entendo, mas as enfermeiras sempre ajudam e aí fica mais fácil", conta.

O médico concorda. "Aqui no Nordeste, especificamente, existem algumas palavras muito particulares, mas quando eu tenho dificuldades peço ajuda às enfermeiras. Não chega a ser um problema", diz. Formado há 25 anos, ele também já morou na Venezuela onde trabalhou atendendo casos de urgência. O médico não se queixa das condições de trabalho. "Não temos tudo, mas com o que temos conseguimos trabalhar", afirma.

A coordenadora do Programa Saúde da Família na cidade, Maria de Lourdes Alves da Costa, explica que a chegada dos médicos estrageiros resolveu o problema de falta de médicos na atenção básica. "Antes do Mais Médicos a gente até conseguia médico, mas muitos não queriam cumprir a carga horária, atendiam três dias na semana e não apareciam mais. A maioria ficava pouco tempo na cidade porque bastava aparecer uma proposta de outro município pra eles irem embora", relata.
"Nós já tivemos médicos brasileiros excelentes aqui em São Miguel do Gostoso. Não podemos generalizar, mas os cubanos têm surpreendido na humanização, no acolhimento aos pacientes, e isso conquista a comunidade".

Mais Médicos
O governo federal divulgou que, em dois anos de funcionamento, o programa levou 18.240 médicos a 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), beneficiando cerca de 63 milhões de pessoas.
No Rio Grande do Norte, 99 cidades são atendidas pelo programa. Ao todo, são 243 médicos contratados pelo programa, sendo 208 estrangeiros e 35 brasileiros. A coordenadora da comissão do Mais Médicos na Secretaria Estadual de Saúde, Claudia Frederico, explicou que o programa sanou a falta de médicos em muitas cidades do estado.

"Você tinha um município em que o médico aparecia duas vezes por semana, atendia rapidinho e ia embora. Agora temos uma situação inversa. Os médicos moram na cidade, atendem todos os dias da semana, com calma. É isso que tem agradado a população", explica.


http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte

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